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Congado de Uberlândia

A devoção a Nossa Senhora do Rosário
A devoção ao Rosário de Maria remonta ao século XIII e nasceu no seio do povo simples, que por não saber ler os salmos, rezava um determinado número de Pai-Nossos e Ave-Marias, servindo-se de pedrinhas para os contar. Esta foi a origem remota do Rosário, que se chamou Saltério de Maria e cuja divulgação se deve a São Domingos, fundador da Ordem dos Dominicanos. Na ocasião por volta do ano de 1200, por ordem do Papa Inocêncio III, foi empreendida uma cruzada contra os albigenses, inimigos da Cristandade. Como a cruzada contava com um pequeno número de pessoas, os albigenses, certamente, sairiam vitoriosos. São Domingos, com seu rosário, lançou-se aos pés de Santa Maria, pediu ajuda, e ao cabo de algumas horas, estava decidida a luta em favor dos cristãos. Histórias como esta foram se repetindo com o decorrer dos anos, tornando o rosário uma "arma misteriosa", quando se tratava de guerras, conflitos, libertação de povos, e até problemas de ordem pessoal.

À devoção do rosário foram atribuídas, ainda, a libertação de mais de vinte mil escravos cristãos, que estavam sob o jugo dos muçulmanos. Provavelmente, esta ligação fez com que Nossa Senhora do Rosário se tornasse a protetora dos escravos.

Em 1716, o Papa Clemente XI estendeu a Festa do Rosário para toda a Igreja Católica, que passou a ser comemorada no primeiro domingo do mês de outubro. No entanto, esta data sofreu alterações ao longo do tempo. Em Uberlândia, ela era comemorada no último domingo do mês de outubro, e aconteciam, simultaneamente, a Festa da Irmandade dos Homens Pretos, na Igreja do Rosário, e a festa dos brancos, na Igreja Matriz. Os padres acharam por bem mudar o dia da festa dos negros, que, a partir de 1929, passou a se realizar no segundo domingo de novembro. Somente em 2004 a festa voltou a ser comemorada a partir do 2º domingo de outubro.

Exemplificando a devoção dos negros a Nossa Senhora do Rosário, conta-se que: Nossa Senhora apareceu na linha do mar. Os brancos, com a Banda de Música, levaram a imagem para uma Igrejinha. Quando amanheceu o dia, ela não estava lá. Havia voltado para o mesmo lugar, onde foi encontrada. Os brancos se reuniram novamente com violas, violões e foram até lá. Tocaram, cantaram e levaram a Santa para a Igrejinha. No dia seguinte, perceberam que ela havia voltado novamente. Então os congadeiros com suas caixas foram até lá, cantaram, bateram a caixa, pegaram a imagem e levaram para a mesma Igrejinha. Desta vez, ela não mais voltou. Podemos concluir desta pequena história que Nossa Senhora, ela mesma, adotou o som do tambor. Isso significa que ela aceita o negro com seus tambores e Reis.

Os congadeiros dizem que Nossa Senhora do Rosário comanda a festa e São Benedito comanda a cozinha. São Benedito era escravo na África, ele era cozinheiro e nunca atrasava o almoço. Os senhores, só para vê-lo atrasar, mandavam-no buscar as rezes no mato. Ele ia, voltava e o almoço saía na hora certa e com o mesmo tempero. Ele era um homem negro muito inteligente e os senhores não aceitavam. Por isso ele foi queimado vivo.

A Santa protetora dos negros na África é Santa Efigênia. Mas como Santa Efigênia era negra e os negros não podiam "mandar" no Brasil, ela passou a coroa e o rosário de contas de lágrimas para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que, a partir daí, passou a se chamar Nossa Senhora do Rosário.

O Congado em Uberlândia


Quando os negros africanos foram trazidos para o Brasil, a bordo de navios negreiros, além da saudade de seu país, de onde foram arrancados repentinamente, trouxeram também em seus prantos e lamentações, a fé no culto e ritos religiosos de suas várias regiões. Mas como os Senhores de Escravos não permitiam que eles tivessem sua própria religião, os negros foram obrigados a se "cristianizarem".

Ainda no tempo da escravatura, eles se reuniam no mato e ali cantavam e dançavam em louvor a sua santa protetora . Assim, por volta de 1874, começou o movimento do Congado em Uberlândia, através da pessoa do Sr. André. Ele reunia os negros da região do Rio das Velhas, Olhos D'água, que saiam "batendo caixa" venerando e pedindo a Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos negros, para libertá-los da escravidão.

Com o passar dos anos, eles sentiram a necessidade de realizar a Festa do Congado na cidade. Naquele tempo, os negros vinham em carros de bois e se agrupavam de baixo de uma grande árvore, onde hoje se encontra a Praça Tubal Vilela. Depois eles seguiam por uma trilha até a Capela de Nossa Senhora do Rosário, construída de pau-a-pique e buritis, onde é hoje a Praça Dr. Duarte, e ali realizavam a Festa. Esta Capela foi construída por volta de 1880.

Em princípios de 1891, Arlindo Teixeira, conceituado político e escritor da época, se propôs mudar e construir no terreno vago da atual Praça Rui Barbosa, a segunda Capela, que foi construída com a frente voltada para o bairro General Osório (Fundinho) porque ali era o centro da cidade. Para o lançamento da pedra fundamental, os negros da Irmandade do Rosário, já sob a presidência do Sr. Manoel Francisco do Nascimento (Manoel Angelino) realizaram uma procissão, carregando um cruzeiro de madeira, da antiga capela até onde seria construída a outra. Esta outra capela foi construída, com estrutura de madeira, tijolos de adobe e telha comum. O sino era dependurado do lado de fora, no baldrame da Igreja.

Com o crescimento da cidade , esta segunda capela precisou ser ampliada. Para tanto, se formou uma comissão composta de homens influentes da cidade, tais como Cícero Macedo de Oliveira, Dr. Abelardo Moreira dos Santos, Arlindo Teixeira e Manoel Naves de Ávila, que conseguiram donativos com os moradores da cidade. Para os negros, instituiu-se uma mensalidade de um mil réis. A pedra fundamental da edificação, foi solenemente lançada em 29 de junho de 1929, com discursos e Banda de Música. A Igreja foi inaugurada em 10 de maio de 1931 , com a presença do então Bispo de Uberaba, D. Frei Luiz Maria de Santana. Entre 1987 e 1988 ela foi tombada e restaurada e hoje pertence ao Patrimônio Cultural da cidade.

Como são formados?
-General ou comandante é o dono do terno, pois possui a patente;

-1°, 2° e 3° capitães são responsáveis pela organização do terno;

-Guarda ou Fiscal é o zelador dos instrumentos e das crianças nas ruas;

-Alferes são os soldados que puxam as filas;

-Caxeiros de Frente fazem evolução na porta da Igreja;

-Soldados completam o terno.

Na frente de cada terno seguem um ou dois estandartes carregados por onze meninas que são as "virgens dos Rosário ". Elas são comandadas pela Madrinha do Terno. Os congos e ternos são geralmente compostos por cem pessoas. Os moçambiques são compostos por um número menor de integrantes, aproximadamente quarenta pessoas. Enfim, esses componentes variam de terno para terno.

Prefeitura de Uberlândia

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