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Uberlândia 134 anos: o progresso pelos olhos do povo

Uberlandenses que presenciaram e fizeram parte da história da cidade contam as transformações do município sob suas perspectivas
16 de agosto de 2022
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Foto área atual do bairro Martins - Secretaria de Governo e Comunicação

A Prefeitura de Uberlândia dá sequência à série especial de aniversário de 134 anos do município, trazendo duas uberlandenses para contar suas vivências na cidade. Por meio da tradição oral da população local, é possível reviver momentos importantes do município que se entrelaçaram com a história de seus habitantes.

Jucélia Borges Dornellas Vieira de 62 anos é uberlandense e formada em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A professora aposentada relembra como foi sua infância em um dos principais bairros centrais do município, o Martins. “Eu nasci numa casa localizada na avenida Engenheiro Diniz e algum tempo depois meus pais adquiriram um imóvel perto do cemitério São Pedro, na avenida Araguari. Lembro que essa rua tinha duas mãos e terminava na antiga avenida Goiânia, que levava direto para a capital de Goiás”, conta.

A uberlandense relembra como a segunda maior cidade mineira era simples em sua infância, mesmo em um bairro que rapidamente tornou-se central. “Quando eu era criança, as ruas não tinham asfalto, não havia essa variedade de mercados que temos hoje e nem um sistema integrado de transportes. Naquela época, a Prefeitura dava manutenção nas ruas por meio de patrolamento, aplicando cascalho em locais mais danificados. Ao invés dos supermercados, eram armazéns em que as pessoas compravam os produtos que precisavam por meio de caderneta. Já o leite e o pão chegavam na porta de casa, lembro que eles entregavam aquelas ‘bisnagonas’ para as famílias”.

Jucélia conta que seus pais não eram nascidos em Uberlândia: o pai era de Nova Ponte e sua mãe de Sacramento, ambos mineiros que deram origem a cinco uberlandenses. “Eu sou abençoada porque tive uma infância muito feliz. Meus pais se casaram somente no religioso, na Catedral de Santa Teresinha, tiveram cinco filhos e eu fui uma das agraciadas”.

O pai de Jucélia era motorista de ônibus intermunicipal e em suas folgas levava os filhos para fazerem diferentes passeios pela cidade. “Me lembro que tinha o rio Uberabinha, ali perto do Praia Clube, e meu pai nos levava para fazer piquenique em suas margens. Onde hoje em dia é cheio de casas, edifícios e ruas pavimentadas, naquela época era um descampado, cheio de chácaras, com um curtume e um frigorífico próximos”, relembra.

As visitas e passeios em família passavam por pontos muito relevantes para a história do município, que foram destacados nos primeiros textos desta série especial de aniversário, o que denota a importância destes locais através do tempo para a cidade. “Eu tenho essa nítida lembrança de quando meu pai chegava de viagem irmos para o centro fazer compras. E onde ali fica o Terminal Central, na avenida João Pessoa, tinha um trilho da Mogiana e nós íamos até a estação para passear. Também me lembro da rodoviária porque íamos muito para lá, depois o local se tornou a Biblioteca Municipal, que também foi muito importante para mim, incontáveis vezes lá estive para estudar para concurso”. Hoje a Biblioteca Municipal está no Centro Municipal de Cultura e a Rodoviária no bairro Martins, próxima à Praça da Bíblia. Já o antigo prédio da Biblioteca Municipal se tornou o Museu Anexo.

Cores e sabores do bairro Martins

A artesã Vânia Andrade Callegari, de 62 anos, também viveu boa parte de sua vida no bairro Martins, mas nasceu e passou a infância no bairro Bom Jesus, quando os loteamentos desse espaço ainda eram pouco povoados. “Hoje a casa que eu morava no Bom Jesus nem existe mais. A lembrança que tenho é que, naquela época, o bairro era brejo e quase não tinham casas ainda. Ele era localizado na beirada da rodovia e fazia divisa com o bairro Martins”.

Vânia relembra que andava de bicicleta e carroça com seus irmãos nas ainda tortuosas ruas de cascalho do Bom Jesus. “Na minha época não tinha tanta atividade de lazer, brincávamos mais na rua e íamos ao circo quando vinha, em geral, na avenida Araguari”. O bairro, que ainda estava em seu início, não possuía escolas, por isso a artesã precisava caminhar, acompanhada de sua mãe e irmãos, até a escola da Igreja Nossa Senhora de Fátima, que ficava no bairro Martins. “Toda minha vida foi entre o bairro Bom Jesus e Martins”.

A mãe de Vânia era costureira e o pai produtor rural. Ele plantava uma diversidade de hortaliças ao lado da casa onde cresceram.  A plantação ficava onde hoje se localiza o Colégio Batista Mineiro. “Meu pai tinha muita dificuldade de saber onde vender suas hortaliças, até então ele vendia na carrocinha de cavalo trotando pela cidade e oferecendo seus produtos. Foi quando ele soube que em outras cidades acontecia uma tal de ‘feira livre’. Então ele resolveu montar uma feira livre aqui em Uberlândia, convidou alguns amigos que também eram produtores rurais e se uniram para fundar as feiras da cidade”.

Mais tarde, Vânia se graduou em Artes Plásticas na UFU, casou-se e teve três filhas. Após sua formação, começou a lecionar na rede estadual de ensino, mas percebeu que sua vocação era outra. Ela então inaugurou seu ateliê no bairro Martins, onde ainda hoje dá aulas de pintura e vende suas confecções em um espaço organizado e tranquilo. Já o marido de Vânia deu prosseguimento ao legado do sogro, Eupíde Andrade, e se tornou um dos tantos feirantes de Uberlândia.

“O bairro Bom Jesus mudou totalmente, veio o comércio, asfaltaram as ruas, construíram casas. Antes o comércio ficava só na Afonso Pena e Floriano Peixoto, mas acabou vindo para o nosso lado também e se espalhando para a cidade toda”, analisa Vânia. “Hoje é muito diferente, o Martins é um bairro completo, tem vários atacadistas, o comércio se estabeleceu, ele foi crescendo demais em pouco tempo e hoje é um bairro central”, afirma Jucélia.

Através das falas das uberlandenses é possível constatar que, em menos de 60 anos, bairros ainda ruralizados se tornaram centros urbanos desenvolvidos e modernos. “Eu me orgulho muito de morar em Uberlândia e eu observo que o uberlandense é uma pessoa que gosta de progresso e tem uma dinâmica acelerada. Olha que cidade bem estruturada, hoje em dia temos tudo!”, finaliza Jucélia.

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