Rua Francisco Galassi, 855 – B Patrimônio
Tombado como Patrimônio Histórico Municipal pelo Decreto n° 20.114, de 26 de dezembro de 2022, alterado pelo Decreto nº 20.249, de 23 de março de 2023. Registrado no Livro do Tombo Histórico, Inscrição XXI, pág. 31.
O Centro Fiação e Tecelagem foi construído com o intuito de preservar o ofício das tecedeiras, significativa referência cultural de Uberlândia. A edificação foi projetada para abrigar esta relevante arte e se tornou importante no espaço urbano, tanto pela qualidade e originalidade arquitetônica como pela beleza dos painéis das fachadas que remontam à trama das tecelãs. A opção construtiva pelo bloco de concreto assentado em juntas intercaladas inspirou o artista Henrique Lemes
a criar três painéis nas fachadas que sugerem tramas e cores da tradicional produção regional.
A construção é da década de 1990 e o conceito adotado no projeto parte de uma forma hexagonal, formando um jardim interno, circundado pelo espaço da produção. No centro do jardim interno encontra-se a caixa d’água, com 23,00metros de altura, em anéis pré-moldados, que desempenha importante papel na intenção projetual, por estar implantada no centro geométrico da edificação. Externamente, o elemento verticalizador é de crucial importância plástica e de destaque na paisagem urbana. Internamente, funciona como referencial físico que, circundado pelo espaço de produção, confere a este um aspecto integrado e não hierarquizado.
No projeto de paisagismo original foram incluídas plantas como jambolão, abricó, murici, amora, urucum, romã, etc., espécies que tradicionalmente tingiam os fios para a tecelagem manual na região.
Os arquitetos autores do projeto arquitetônico são Roberto Andrade, Maria Eliza Guerra e Márcia Cristina Freitas. O projeto estrutural ficou a cargo do engenheiro Carlos Kaufmann e foi executado mediante convênio entre o BID, Governo do Estado de Minas e Prefeitura Municipal de Uberlândia, com o objetivo de regatar essa cultura, trazendo para o local as fiandeiras, que ainda hoje, detém a técnica herdada de mãe para filha.
O edifício é um lugar que expressa a correspondência entre a integridade do edifício e a preservação do patrimônio imaterial. O ranger dos teares e a dança das lançadeiras provocam o aparecimento da trama, de desenhos geométricos, assimétricos, coloridos e únicos. São criações anônimas de aprendizes e mestras que com a agilidade das mãos nos revelam a sabedoria de um tempo em que fiar, cardar e tecer, eram atividades do passado vinculadas à sobrevivência familiar.
Na comunhão destes passados, a produção doméstica estava intimamente relacionada ao fio da vida, às suas necessidades e aos seus sentimentos. As nuances, cores e desenhos criados nos permitem pensar na arte como um dos fios que compõem a trama do tecido social de Uberlândia