O Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) recebe, até o fim de agosto, a exposição “Graffitis do Cerrado – Gestos em Amarelos”, do artista Kim Ferreira. A mostra aproxima a linguagem urbana do grafite dos elementos naturais e humanos do Cerrado, criando um diálogo entre cidade, natureza, memória e sensibilidade ambiental.
Com obras produzidas em spray e técnica mista sobre tela, Kim apresenta uma pintura vibrante, marcada por animais do Cerrado, galhos retorcidos, frutos, tons solares e figuras ligadas ao trabalho rural. O artista desloca a potência do grafite, tradicionalmente associado ao espaço público, para o ambiente expositivo, sem perder sua força urbana e contemporânea.
Para Kim Ferreira, a presença da natureza no espaço urbano não deve ser vista apenas como ornamentação, mas como forma de reconectar as pessoas ao meio ambiente. “Eu acredito que a natureza é algo muito forte e deveria estar mais presente na paisagem urbana. A arte urbana tem esse poder de trazer mais vida e cores por meio da representação da fauna e da flora, compondo um ambiente mais agradável, leve e alegre para a cidade”, afirmou o artista.
A exposição também evidencia a relação entre o Cerrado e o trabalho humano. Nas telas, a figura do trabalhador rural aparece como símbolo de ligação direta com a terra. Segundo Kim, a natureza é a principal fonte de sua criação artística. “Na minha linguagem, a natureza é a fonte primordial, é o que temos de mais puro e perfeito. Eu a vejo como algo sagrado que merece ser cuidado, valorizado e preservado. Por isso, busco trazer a vida simples, o trabalhador, o esforço e o suor das pessoas”, explicou.
A exposição também reforça a relação de Kim Ferreira com ações de arte e educação ambiental promovidas pelo Dmae. Em trabalho anterior, o artista assinou um grafite em um reservatório intermediário de água na Avenida Nicomedes Alves dos Santos, no bairro Jardim Sul, durante uma iniciativa voltada à sustentabilidade. A obra transformou a estrutura em espaço de reflexão sobre a preservação dos recursos naturais, aproximando a população de temas como água, biodiversidade e cuidado com o meio ambiente por meio da linguagem sensível da arte urbana.
Ao ocupar um espaço de circulação diária de servidores e visitantes, a exposição “Graffitis do Cerrado – Gestos em Amarelos” propõe uma pausa sensível no cotidiano institucional. Para o artista, a obra não deve entregar uma mensagem fechada, mas provocar diferentes leituras em cada pessoa que passar pelo foyer do Dmae. A mostra convida o público a observar o Cerrado não apenas como bioma, mas como presença viva, pulsante e em constante transformação.