O Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) está realizando um teste-piloto para avaliar a utilização de Poços de Visita (PVs) produzidos em Polietileno de Alta Densidade (PEAD) na rede de esgoto de Uberlândia. Duas estruturas de PEAD foram instaladas no bairro Shopping Park, em substituição aos tradicionais poços de concreto.
A iniciativa faz parte de uma série de mudanças que o Dmae vem avaliando em seus processos e sistemas, com o objetivo de aumentar a eficiência operacional, melhorar o desempenho das estruturas e reduzir gastos relacionados à manutenção. Os dois PVs instalados serão acompanhados pela equipe técnica da autarquia para avaliação do desempenho do material ao longo do tempo.
Segundo o diretor de Esgotamento Sanitário do Dmae, Lucas Rocha, a utilização do PEAD apresenta características que podem trazer ganhos tanto durante a implantação quanto na operação da rede.
“Estamos testando uma alternativa que apresenta algumas vantagens importantes em relação ao concreto, principalmente em relação à resistência química, estanqueidade, facilidade de instalação e durabilidade. O objetivo é avaliar na prática o comportamento dessas estruturas e verificar se elas podem contribuir para uma operação mais eficiente e com menor necessidade de manutenção”, explicou.

Resistência, flexibilidade e durabilidade
Entre as principais características do PEAD está a resistência à corrosão provocada pelos gases presentes no esgoto. Nos sistemas convencionais de concreto, a ação do gás sulfídrico (H₂S), presente na atmosfera dos sistemas de esgotamento sanitário, pode contribuir para a formação de ácido sulfúrico e acelerar a degradação das estruturas. O PEAD, por sua vez, apresenta elevada resistência química a esse processo.
Outro diferencial é a estanqueidade. As estruturas de PEAD podem utilizar conexões soldadas por termofusão ou sistemas de vedação, reduzindo o risco de infiltração de água na rede e de exfiltração de esgoto para o solo. O material também é mais leve que o concreto, o que facilita o transporte, o manuseio e a instalação. A característica pode contribuir para a redução do tempo de execução dos serviços e da necessidade de equipamentos pesados no canteiro de obras.
A flexibilidade do PEAD é outro fator considerado pelo Dmae. Diferentemente do concreto, que é um material rígido e pode sofrer trincas ou quebras diante de movimentações do solo, o PEAD consegue absorver pequenas deformações e acomodações do terreno. Na parte interna, as paredes lisas do material também favorecem o escoamento e reduzem a possibilidade de aderência e acúmulo de resíduos, como lodo, gordura e incrustações, o que pode contribuir para a redução de ocorrências de entupimentos e intervenções de manutenção.
“Além da instalação ser mais simples e rápida, temos uma expectativa de maior durabilidade e de redução de intervenções futuras. Mas é justamente por isso que estamos fazendo esse teste. Precisamos acompanhar o comportamento dos dois poços em condições reais de operação antes de tomar qualquer decisão de ampliar a utilização”, ressaltou o diretor de Esgotamento Sanitário do Dmae, Lucas Rocha.
Após o período de avaliação, o Dmae irá analisar os resultados obtidos, considerando aspectos como durabilidade, desempenho hidráulico, necessidade de manutenção, facilidade de instalação e custos operacionais. Caso os resultados sejam positivos, a autarquia poderá estudar a ampliação do uso de PVs de PEAD em outros pontos da rede de esgotamento sanitário do município.