Secretaria de Cultura

Capela da Saudade

Capela da Saudade

  • A região onde está situada a Capela da Saudade é conhecida como Cruz Branca, área rural de Uberlândia. A Capela está localizada em terras pertencentes à família Pereira, descendentes de João Pereira da Rocha, sesmeiro que aqui chegou no início século XIX, sendo o primeiro entrante a fixar residência nesta região.

  • Em meados do século XIX as terras da família Pereira foram subdivididas em diversas fazendas, dentre elas, surgiu à Fazenda da Saudade. O primeiro proprietário foi Francisco Pereira Resende e sua esposa Genoveva Alves de Resende. Com o tempo deixa-a em herança para o filho João Resende, que por sua vez passa a propriedade para a filha Ana Pádua de Resende e o genro, Francisco Fernandes de Resende. Em 2016, a fazenda pertence ao casal Edésio Vieira de Pádua e Darci Eurípedes de Pádua, sendo Darci filha de Ana e Francisco.

  • A Capela da Saudade foi erguida no ponto mais alto da Fazenda da Saudade, em um local onde havia um cruzeiro erguido no início do século XIX, pelos proprietários, para cumprir uma promessa de um membro da família Pereira que faleceu sem realizar o prometido. 

  • Os relatos dão conta de que havia um monjolo que tocava à noite sem que ninguém estivesse por perto. Outro motivo relatado para a fixação do cruzeiro foi em cumprimento de um voto feito por um membro da família que pretendia a cura de um parente que estava doente. Seja por um motivo ou por outro, o lugar estava impregnado de simbolismo e religiosidade, com uma profunda relação com o sobrenatural.

  • Assim sendo, permeado por estes sentimentos relacionados ao sagrado, foi que a família Pereira construiu na segunda metade do século XIX, nas imediações do Cruzeiro, um rancho para abrigar os fiéis que faziam penitências no pé do Cruzeiro, peregrinavam pedindo chuva na época da seca ou rezavam pelas almas.

  • Posteriormente, no final do século XIX, construiu-se a primeira Capela no ano de 1899. Em 1954 ela foi totalmente reconstruída e no final dos anos de  1990 o cruzeiro de madeira, com deterioração avançada, foi substituído por um cruzeiro de alvenaria. A cruz antiga de madeira foi enterrada no adro da Capela.

  • Os símbolos do cruzeiro são: o galo de São Pedro, que representa a luz da aurora, a luta e a vitória de Cristo ressuscitado, vitória da qual participava São Pedro mártir, a escada, simbolizando descimento do corpo de Cristo da cruz, os instrumentos do martírio o martelo e duas lanças, o cálice da amargura oferecido a Jesus por um anjo no horto das Oliveiras, o véu de Verônica, que representa o pano que Verônica enxugou o rosto de Jesus na subida do calvário, a coroa símbolo da soberania. Segundo um dito popular acima de Deus, só a sua coroa e uma placa com a inscrição INRI – Iesus Nazarenum Rex Ideorum (Jesus Nazareno Rei dos Judeus).

  • No ano 2014 ocorreu à última reforma na Capela da Saudade com a troca do telhado, do forro interno e pintura interna e externa. Atualmente, acontecem na Capela a Festa da Santa Cruz de Todos os Santos no mês de maio, celebração de missa uma vez ao mês, Procissão e a Cavalgada da Saudade.

  • A festa na Capela da Saudade cria um momento especial no cotidiano da população rural, revelando-se como um espaço vivo, constituído pela convivência de várias gerações das famílias das fazendas próximas, que demonstram grande interesse no tombamento do bem.

  • A Capela da Saudade não possui relevante valor arquitetônico, entretanto, exerce grande valor simbólico e sagrado para as comunidades do entorno, além de grande importância para a religiosidade rural.

  • Esse foi o alicerce no qual surgiu a cidade de Uberlândia, pois, no interior do Sertão da Farinha Podre, no início do século XIX,  os pequenos povoados que salpicavam esta região, se formaram no entorno de pequenas Capelas, em um cotidiano permeado pelo valor simbólico dos ritos religiosos que atribuíam sentido à vida. As festas, os ritos religiosas, as procissões e devoções que ocorrem na Capela da Saudade recuperam um passado no qual, a celebração se torna um fragmento das histórias de formação deste povo.  
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