Secretaria de Cultura

Congado de Uberlândia

Congado de Uberlândia

Quando os negros africanos foram trazidos para o Brasil, a bordo de navios negreiros, além da saudade de seu país, de onde foram arrancados repentinamente, trouxeram também em seus prantos e lamentações, a fé no culto e ritos religiosos de suas várias regiões. Mas como os Senhores de Escravos não permitiam que eles tivessem sua própria religião, os negros foram obrigados a se “cristianizarem”.

Ainda no tempo da escravatura, eles se reuniam no mato e ali cantavam e dançavam em louvor a sua santa protetora. Assim, por volta de 1874, começou o movimento do Congado em Uberlândia, através da pessoa do Sr. André. Ele reunia os negros da região do Rio das Velhas, Olhos D’água, que saiam “batendo caixa” venerando e pedindo a Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos negros, para libertá-los da escravidão.

Com o passar dos anos, eles sentiram a necessidade de realizar a Festa do Congado na cidade. Naquele tempo, os negros vinham em carros de bois e se agrupavam de baixo de uma grande árvore, onde hoje se encontra a Praça Tubal Vilela. Depois eles seguiam por uma trilha até a Capela de Nossa Senhora do Rosário, construída de pau-a-pique e buritis, onde é hoje a Praça Dr. Duarte, e ali realizavam a Festa. Esta Capela foi construída por volta de 1880.

Em princípios de 1891, Arlindo Teixeira, conceituado político e escritor da época, se propôs mudar e construir no terreno vago da atual Praça Rui Barbosa, a segunda Capela, que foi construída com a frente voltada para o bairro General Osório (Fundinho) porque ali era o centro da cidade. Para o lançamento da pedra fundamental, os negros da Irmandade do Rosário, já sob a presidência do Sr. Manoel Francisco do Nascimento (Manoel Angelino) realizaram uma procissão, carregando um cruzeiro de madeira, da antiga capela até onde seria construída a outra. Esta outra capela foi construída, com estrutura de madeira, tijolos de adobe e telha comum. O sino era dependurado do lado de fora, no baldrame da Igreja.

Com o crescimento da cidade, esta segunda capela precisou ser ampliada. Para tanto, se formou uma comissão composta de homens influentes da cidade, tais como Cícero Macedo de Oliveira, Dr. Abelardo Moreira dos Santos, Arlindo Teixeira e Manoel Naves de Ávila, que conseguiram donativos com os moradores da cidade. Para os negros, instituiu-se uma mensalidade de um mil réis. A pedra fundamental da edificação foi solenemente lançada em 29 de junho de 1929, com discursos e Banda de Música. A Igreja foi inaugurada em 10 de maio de 1931, com a presença do então Bispo de Uberaba, D. Frei Luiz Maria de Santana. Entre 1987 e 1988 ela foi tombada e restaurada e hoje pertence ao Patrimônio Cultural da cidade.

Como são formados?

-General ou comandante é o dono do terno, pois possui a patente;

-1°, 2° e 3° capitães são responsáveis pela organização do terno;

-Guarda ou Fiscal é o zelador dos instrumentos e das crianças nas ruas;

-Alferes são os soldados que puxam as filas;

-Caxeiros de Frente fazem evolução na porta da Igreja;

-Soldados completam o terno.

Na frente de cada terno seguem um ou dois estandartes carregados por onze meninas que são as “virgens dos Rosário “. Elas são comandadas pela Madrinha do Terno. Os congos e ternos são geralmente compostos por cem pessoas. Os moçambiques são compostos por um número menor de integrantes, aproximadamente quarenta pessoas. Enfim, esses componentes variam de terno para terno.

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