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Uberlândia 134 anos: o planejamento da modernidade

História mostra como a união da cidade, políticos e moradores resultou em um município sempre a frente de seu tempo
22 de agosto de 2022
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O último texto da série especial preparado pela Prefeitura de Uberlândia em celebração aos 134 anos da cidade mostrará como os ideais progressistas da cidade fizeram parte da mentalidade dos cidadãos desde antes de sua definição como município. E foram esses pensamentos e suas consequentes ações que moldaram fortemente a cidade e a transformaram no que ela é hoje.

 Por meio de estratégias previamente calculadas, mesmo antes de sua criação oficial, Uberlândia foi capaz de se desenvolver rapidamente em diversos setores e se tornar, hoje, a melhor cidade do estado de Minas Gerais e a décima melhor cidade do Brasil, de acordo com um levantamento feito pela revista Isto É em parceria com a Editora Três e a agência classificadora de risco de crédito Austin Rating.

Todo esse resultado começou com os esforços para transformar um pequeno arraial em distrito, o chamado São Pedro de Uberabinha. Posteriormente, planejou-se a construção de uma paróquia com o intuito de tornar o distrito em um município com fôlego para se emancipar de Uberaba.

 “Os fundadores do município são seus habitantes, trabalhadores que vieram e participaram da criação da cidade com ideias e trabalho”, define Oscar Virgílio Pereira, antigo procurador geral do Município de Uberlândia e responsável pela importante obra que conta a história da cidade: “Das Sesmarias ao Polo Urbano: Formação e Transformação de uma Cidade”.

Uberlândia 134 anos: o planejamento da modernidade 1

O primeiro visionário

 De acordo com Pereira, o primeiro agente executivo da cidade, título equivalente hoje em dia ao de prefeito, foi o político Augusto César, eleito por unanimidade pela população que tinha planos de tornar a cidade um foco de modernidade. “Ele definiu que Uberlândia seria um município de predominância urbana”, explica.

  Augusto César redigiu as leis básicas e fundamentais do município e priorizou as questões que considerava mais importantes para o desenvolvimento da cidade. A primeira lei, número 1 de 1892, dispunha sobre a instrução pública. “Ele via na educação a forma de redenção e desenvolvimento da comunidade”, diz Pereira.

E, nessa construção de metas, Augusto César definiu, também, o rumo de Uberlândia como entreposto comercial. De acordo com Pereira, o primeiro pacto intermunicipal do Brasil foi idealizado por ele. O agente executivo realizou um acordo para que acontecesse um comércio com o estado de Goiás, a fim de que a estação de Uberabinha tivesse relevância comercial.

 Por meio do acordo, foi construída uma estrada de rodagem a partir da cidade goiana de Morrinhos que terminava no rio Paranaíba, em Itumbiara. Lá, os carros de boi encontravam uma balsa que atravessava o rio e chegada até a estrada de rodagem construída por Uberabinha que levava até a estação da Mogiana. Dessa maneira, constituiu-se uma aliança de troca de mercadorias entre os estados de Goiás e Minas Gerais através dos planos de Augusto César. “Ele era um camarada de visão”, comenta Pereira.

Como destacado no segundo texto especial desta série de aniversário, Fernando Vilela criou a Companhia Mineira de Auto Viação Intermunicipal em 1912, que utilizou as estradas de rodagem dos carros de boi, que iniciaram as relações comerciais de Uberabinha com outras cidades, como as estradas para automóveis que construiu e ajudou a modernizar ainda mais o município em parceria com a locomotiva e a ponte Afonso Pena.

Seguindo um detalhado planejamento

Uberlândia 134 anos: o planejamento da modernidade 2

No Arquivo Público Municipal, é possível encontrar uma documentação que mostra um plano minucioso de desenvolvimento da cidade de Uberlândia ainda na década de 1950, que foi seguido pelos governos que sucederam os planejamentos. O primeiro é um mapa de 1952 que mostra uma planta detalhada da cidade. No entanto, nesta época, Uberlândia não era muito maior que o bairro Fundinho.

“Como que pode uma cidade na década de 1950, que quase não chega até a avenida João Naves de Ávila, estar toda desenhada? É de se admirar que esse mapa seja de 1950, porque é o desenho da cidade inteira”, conta Valéria Maria Queiroz Cavalcante Lopes, diretora de Memória e Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

Bairros como Roosevelt, Dona Zulmira e Minas Gerais estão dispostos no antigo mapa, acompanhados de ilustrações que mostram as benfeitorias que o município, supostamente, ostentava. “O mapa está com tamanho de quadra e nomes de ruas. Isso não é um desenho, é um projeto de cidade. E não só isso, estão também dispostos os ícones do progresso não só como meta, mas como propaganda para outros localidades. Uma forma de dizer ‘vem para cá, pois aqui tem tudo’”, explica Valéria.

A cidade moderna cartografada dispunha de energia para todos, água em abundância, aeroporto com diversos voos diários, um clube de lazer e estradas. Tendo como base um documento de 1954, a governança não se limitou à planta da cidade propagandística e planejou desenvolvê-la de fato.

“Estamos vos entregando o plano de urbanização da Cidade de Uberlândia, bem como relatório referente ao importante empreendimento”, dizia o diretor da Secretaria de Departamento Geográfico, Valdemar Lobato, ao então prefeito, Tubal Vilela, no documento em questão.

O plano de urbanização foi dividido em cinco grandes itens detalhados em subtópicos:

1 – Tráfego

A.    Abertura de avenidas de desafogo para melhoria do tráfego urbano.

B.    Abertura de artérias de penetração para suportar o tráfego pesado entre o centro comercial e os bairros

C.   Abertura de artéria de cinturão distribuindo o tráfego por toda a cidade.

2 – Urbanização

a.    Nova ferroviária

b.    Nova estação rodoviária

c.     Sistema recreativo

d.    Centro Administrativo (Palácio da Municipalidade. Agrupamentos das repartições públicas. Biblioteca Pública.)

e.    Centro cívico. Monumento patriótico. Museu.

f.      Comércio.

g.    Escolas “play-ground.”

h.    Estádio Municipal

i.      Cemitério

3 – Zoneamento

4 – Arborização

5 – Secção Técnica

Em cada tópico do documento, há uma descrição detalhada de um plano para todos os setores da cidade, como a construção de avenidas largas com intuito de desafogar o trânsito, tal como a avenida São Pedro que foi construída e atualmente é denominada de Rondon Pacheco. É válido ressaltar que, nesta época, a cidade ainda era pequena e o tráfego de veículos não era intenso, mas como se esperava a continuidade do progresso do município, o documento previu a necessidade da criação de avenidas extensas.

Além disso, não só eram sugeridas construções de edificações, mas suas localizações foram precisadas no arquivo, é o caso da primeira rodoviária da cidade: “Será localizada na avenida João Pessoa, nas proximidades da Praça de Osvaldo Cruz”. E também foi específico sobre a criação do Museu Municipal: “o edifício onde funciona a Prefeitura Municipal será transformado em museu e exposição de artes em geral”.

Até mesmo um parque e uma arena estavam previstos no documento que tratava o lazer e o esporte da população com muita seriedade. “A construção imediata de um parque municipal é assunto que merece a atenção da atual administração. Terá a cidade que contar com um moderno parque para preencher tão grave lacuna, no que concerne a recreação pública, na moderna cidade de Uberlândia”, alerta o documento sobre a criação de um espaço como este.

“Outro melhoramento a que deverá dedicar-se o atual governo municipal, é a construção de uma praça de esportes condigna de centro de tanta importância. […] Os terrenos necessários ao estádio não deverão ser inferior (sic) a 500×400 ou sejam (sic) 200.000 metros quadrados, a fim de permitir a construção de amplas arquibancadas, campo de football de tamanho internacional, pistas para esportes olímpicos, etc”.

Grande parte dos itens descritos no arquivo deram norte para atos da administração pública, contendo ou não adaptações em relação a localidades ou magnitudes das construções, mas sempre observando ao moderno plano ofertado na década de 1950. Além disso, as administrações também se inspiraram no planejamento do mapa de 1952 e ampliou a cidade criando os bairros, quadras e ruas dispostos no desenho e foi capaz de proporcionar a qualidade de vida para os habitantes que as ilustrações sugeriam.

“Tem-se-nos facultado observar, o que causa justificada alegria, que a população de Uberlândia acompanha com interesse e entusiasmo este movimento, deixando-se contaminar pelo desejo de colaboração para o engrandecimento da cidade. São todos unanimes em confiar na ação e na força que emanam do plano e na capacidade de transformação de seus valores naturais”, dizia o documento do Departamento Geográfico.

“Desde sempre, a cidade como um todo só pensava em desenvolvimento, sem desavenças por visões diferentes, havia uma união de diversos grupos e pensamentos, pois priorizava- se apenas o melhor para a cidade. Se observar a história da construção da Universidade Federal de Uberlândia isso aconteceu, no desenvolvimento das estradas também, ou seja, todos os esforços eram voltados para traçar o caminho do desenvolvimento”, finaliza Pereira. 

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