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Centro de Referência em Autismo completa seis meses de atendimento

Nesse período, já foi possível fazer 600 avaliações e incluir 142 crianças em atendimento terapêutico; unidade é a primeira que oferece assistência pelo SUS em Minas Gerais
15 de dezembro de 2022
Foto: Danilo Henriques/Secretaria de Governo e Comunicação

Com o início dos atendimentos do Centro de Referência a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (CR-TEA), há pouco mais de seis meses, a Prefeitura de Uberlândia deu o primeiro passo para garantir assistência e acompanhamento adequados para quem precisa. Desde os primeiros atendimentos, foram feitas 600 avaliações e, atualmente, 142 crianças com idade entre 18 meses e 6 anos estão em atendimento terapêutico na unidade.

O espaço funciona anexo ao Centro de Internação Pediátrico Dr. Helder Castro de Bastos e é o primeiro centro de referência, via SUS, especializado neste atendimento. O transtorno do espectro autista (TEA) caracteriza-se por uma série de condições, em algum grau de comprometimento, no comportamento social, na comunicação e na linguagem.  O diagnóstico é clínico, sendo baseado no histórico do indivíduo. 

Neste mês de dezembro, a equipe do CR-TEA iniciou as devolutivas do trabalho desenvolvido com os pacientes desde o início dos atendimentos. A Luana Aparecida Nogueira é mãe do Lucca e da Manuella, que fazem acompanhamento na unidade. Durante o encontro com os profissionais, ela relatou a evolução dos filhos, que adquiriram habilidades como a comunicação verbal e a regulação comportamental. “Costumo dizer que tenho outros filhos depois de maio. Eles evoluíram significativamente, formam frases completas, respondem às interações. E parte dessa evolução vem do trabalho no CR-TEA e, principalmente, do treinamento parental. Isso porque a responsabilidade de dar continuidade nos estímulos é nossa, pois somos nós que passamos a maior parte do tempo com eles”.

A supervisora e psicopedagoga do CR-TEA, Alexandra da Rocha Sardella, explica que a participação da família é indispensável para o desenvolvimento dos pacientes. “O tempo que o paciente passa conosco é bem menor do que no convívio diário com os familiares. Por isso, precisamos que os familiares participem e repassem os treinamentos em casa. Dessa forma, as respostas serão maiores. Não queremos um paciente em ambiente terapêutico para sempre, queremos que ele conviva em sociedade”.

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Foto: Danilo Henriques/Secretaria de Governo e Comunicação

O treinamento parental é baseado na Análise Aplicada do Comportamento (ABA). Segundo o diretor médico da urgência e emergência da organização social Missão Sal da Terra (MST), responsável pela administração do CR-TEA, Marco Túlio Ferreira, a metodologia além de ser primordial para a continuidade da terapia, permite que aumente a oferta da agenda. “O projeto começou com a expectativa de atender 50 pacientes. Mas com o treinamento parental, permitindo a continuidade do atendimento em casa, a evolução dos pacientes foi favorável e percebemos que era possível otimizar nosso atendimento. Com isso, nos oportunizou aumentar a oferta da agenda, ampliando para 142 crianças em terapia”.

Referência para outros municípios

A forma de trabalho do treinamento parental esteve presente na I Conferência Planificação da Atenção à Saúde, evento organizado pelo Ministério da Saúde e Hospital Albert Einstein, com a finalidade de promover e compartilhar as boas práticas desenvolvidas pelos municípios no Sistema Único de Saúde (SUS).  O case ‘Tratamento de qualidade para autistas pelo SUS é possível?’ foi aprovado pela comissão científica após submissão e será publicado nos anais do evento. Além desta experiência, outras ações fazem da Prefeitura estarão nesta publicação.

O CR-TEA é a primeira unidade especializada neste atendimento via SUS. O local conta com cerca de 345 m² de área construída, foram investidos, com recursos próprios do município, mais de R$ 674 mil. O espaço tem sete consultórios das áreas de neuropediatria, fonoaudiologia, fisioterapia, psiquiatria infantil, psicopedagogia, além de salas de recepção, convivência, diagnósticos, reuniões, treino de Atividades de Vida Diária (AVD), oficinas para famílias, jardim sensorial, área de playground, entre outros.

Porta de entrada

As unidades básicas de saúde da Atenção Primária são a porta de entrada para os atendimentos no Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista (CR-TEA). A equipe médica da unidade de saúde foi capacitada para fazer essa triagem e direcionar o paciente para avaliação. “A unidade básica de saúde é uma grande aliada neste projeto. O pediatra avalia e direciona para o Centro, onde acontece a discussão do caso. Verificada a necessidade, a equipe do CR-TEA passa a acompanhar o paciente. Nos outros casos, onde são identificadas outras dificuldades, há uma rede de atenção que acolhe esse paciente”, explicou Júnia Souto Oliveira, referência técnica da Rede de Cuidados da pessoa com Deficiência.

Atualmente, a Secretaria Municipal de Saúde tem, além do CR-TEA, o Centro Especializado em Reabilitação (CER) e o Campus Municipal de Atendimento à Pessoa Com Deficiência (CMAPCD). 

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